Avaliação
de Ingredientes para a nutrição de poedeiras comerciais.
Introdução
Alguns
alimentos se destacam pela sua qualidade como fonte de nutrientes,
ou pela quantidade de inclusão nas dietas, como é
o caso do milho e do farelo de soja. Mas a crescente procura
do milho para a alimentação humana produção
de Etanol, bem como os constantes aumentos da soja e seus derivados,
dão maior evidência aos substitutos destes pelos
ingredientes ditos alternativos (ASSUENA et al., 2008).
Porém,
toda a troca de ingredientes comumente utilizados por outros
de oferta sazonal deve ser realizada levando-se em consideração
uma série de fatores visando a segurança alimentar
e a manutenção do desempenho dos animais.
De
acordo com BELLAVER & LUDKE (2004), sempre que se avalia
a oportunidade de uso de um ingrediente alternativo, alguns
pontos devem ser observados, tais como:
a)
Disponibilidade comercial – é necessário
um suprimento atrativo e que justifique o esforço de
mudança de fórmulas de ração;
b)
Quantidade de nutrientes e energia – os ingredientes
alternativos possuem uma grande variação na composição
nutricional e na densidade energética. Estimativas nutricionais
e energéticas podem ser obtidas a partir de análises
laboratoriais, sendo estas avaliações indispensáveis
para a formulação;
c)
Qualidade dos nutrientes – é importante
que os valores de nutrientes digestíveis estejam disponíveis
pois são esses que verdadeiramente são utilizados
pelos animais. As tabelas de composição de alimentos
tem oferecido essa informação que serve de indicador
para a formula de ração com base em nutrientes
digestíveis, porém recomenda-se consultar um nutricionista
visando a elaboração de uma dieta equilibrada
às necessidades dos animais. Alguns fatores como altas
temperaturas ou falhas no processamento podem desnaturar proteínas
ou impedir que os nutrientes destes ingredientes sejam adequadamente
digeridos. Também a presença de micotoxinas e
de fatores anti-nutricionais podem comprometer a qualidade da
dieta;
d)
Características físicas do ingrediente –
Na formulação de rações é
importante levar em consideração a densidade e
umidade dos ingredientes, fatores que tem influência direta
na capacidade e condições de armazenamento.
Portanto,
entender quais as particularidades intrínsecas de cada
ingrediente é de fundamental importância para sua
correta utilização, sendo este o objetivo principal
desta revisão. Destacar vários pontos sobre os
mais variados tipos de ingredientes que podem ser utilizados
na alimentação de poedeiras comerciais, bem como
suas principais limitações.
Alimentos
de Utilidade na Nutrição de Poedeiras Comerciais:
a)
Alimentos de Origem Vegetal.
a.1)
Algodão:
Nome
Científico: Gossypium hirsutum L.
Utilização: O farelo de algodão
é bastante utilizado para gado de leite e de corte, mas
em pequenas quantidades para poedeiras comerciais.
Fatores limitantes: Elevado teor de fibra e
a presença do gossipol (pigmento amarelo, polifenólico,
encontrado no óleo do caroço do algodão).
Subprodutos:
Efeito
da Qualidade dos Milho no Desempenho de Poedeiras Comerciais:
Todos
os ingredientes descritos acima podem afetar, com maior ou menor
grau, o desempenho das poedeiras, caso o mesmo não se
encontre em perfeitas condições de qualidade no
momento da elaboração e do consumo da dieta. Porém
de todos os ingredientes o milho se destaca, devido a grande
variação que possui e a elevada quantidade que
é utilizada.
Sendo
assim, alguns tópicos serão destacados sobre o
impacto negativo do uso de milho com problemas de qualidade
nutricional no desempenho de poedeiras comerciais.
Além
da variação bromatológica, devido a presença
de impurezas e de grãos anormais, um grande problema
relacionado à qualidade do milho refere-se à presença
de toxinas. As micotoxinas compreendem um conjunto complexo
de substâncias tóxicas, produzidas por fungos,
diferenciando-se das toxinas bacterianas por não serem
de natureza protéica e nem imunogênicas.
Dentre
as principais micotoxinas destacam-se aquelas produzidas por
fungos do gênero Aspergillus sp. e Fusarium sp., tais
como: aflatoxinas, tricotecenos (vomitoxina e T-2 entre outras),
fumonisinas, zearalenona e o ácido fusárico (SMITH
& SEDDON, 1998).
Dentre
estas, as aflatoxinas são as mais abundantes e acarretam
grande importância econômica para a produção
animal. São conhecidos, atualmente, 18 compostos similares
designados pelo termo aflatoxina, porém os principais
tipos de interesse médico-sanitário são
identificados como B1, B2, G1 e G2 (COULOMBE, 1991).
A
estrutura química destes compostos é semelhante,
sendo que todas apresentam um núcleo central cumarínico
ligado a uma estrutura bi-furanóide. As aflatoxinas,
no entanto, apresentam diferentes graus de atividade biológica:
a aflatoxina B1 (AFB1), além de ser a mais freqüentemente
encontrada em substratos vegetais, é a que apresenta
maior poder toxigênico, seguida de G1, B2 e G2 (LEESON
et al., 1995).
Em
poedeiras, as principais manifestações da aflatoxicose
crônica, em condições experimentais, incluem
redução da produção e do peso dos
ovos, aumento da gordura hepática e alteração
de enzimas séricas. EXARCHOS & GENTRY (1982) administraram
doses orais de aflatoxinas de 0,7, 1,0 e 5,0 mg/kg/dia, durante
5 semanas, e observaram uma redução significativa
na produção de ovos em todas as doses da toxina.
WASHBURN (1985) observou que concentrações de
0,6 mg/kg de aflatoxina B1, também produziram, após
28 dias de observação, efeitos adversos sobre
a produção de ovos.
OLIVEIRA et al. (2001) avaliaram a produção e
qualidade dos ovos de poedeiras submetidas à intoxicação
prolongada com aflatoxina B1. Para isso noventa e seis poedeiras
(20 semanas de idade) foram alimentadas com rações
contendo AFB1 nas concentrações de 0 (controle),
100, 300 e 500 ?g/kg, durante 8 semanas. A produção
de ovos e a conversão alimentar, embora semelhantes estatisticamente,
variaram entre os tratamentos em mais de 3% se comparado o grupo
controle com as aves que consumiram 500 ?g/kg de AFB1. O grupo
100 ?g/kg apresentou menor consumo de ração, enquanto
as aves dos tratamentos 300 e 500 ?g/kg obtiveram menor ganho
de peso (p < 0,05). Os parâmetros de qualidade dos
ovos (peso, unidade Haugh, gravidade específica e percentual
de casca) não foram afetados. Os resultados indicaram
que a AFB1, a partir de 100 ?g/kg, pode alterar o desempenho
de poedeiras jovens, evidenciando a importância do controle
de aflatoxinas na ração.
Uma
etapa fundamental para prevenir os inconvenientes destacados
acima é a elaboração de uma simples classificação
dos grãos por ocasião de seu recebimento.
O
grão de milho, quanto à sua forma e seus defeitos
é classificado como:
-
Grãos regulares - São os grãos
normalmente desenvolvidos que apresentam boas condições
de maturidade e conservação;
- Grãos ardidos - São os grãos
ou pedaços de grãos que perderam a coloração
ou cor característico, por ação do calor
e umidade ou fermentação fúngica em mais
de ¼ do tamanho do grão;
- Grãos avariados - São considerados
os grandes pedaços de grãos, bem como os atacados
por roedores e parasitas;
- Grãos brotados - São os grãos
ou pedaços de grãos que apresentam germinação
visível;
- Grãos carunchados - São os
grãos ou pedaços de grãos furados ou infestados
por insetos vivos ou mortos;
- Grãos chochos ou mal granados - São
os grãos enrugados devido a uma deficiência de
desenvolvimento;
- Grãos quebrados - são os pedaços
de grãos sadios, que ficam retidos na peneira de crivos
circulares de 5 mm de diâmetro;
- Impurezas - São consideradas as do
próprio produto (ex.: pedaços de sabugos ou palhadas);
- Matérias estranhas - São considerados
os grãos ou sementes de outras espécies, bem como
os detritos vegetais, sujidades e corpos estranhos de qualquer
natureza, não oriundos do produto.
Não
deverá ser utilizado na nutrição animal
o milho que apresentar mal estado de conservação,
com aspecto generalizado de mofo ou fermentado, contaminado
com outras sementes daninhas e tóxicas (ex.: mamona,
fedegoso) ou com odor não característico (ex.:
mofo e produtos químicos).
Para
o milho destinado à nutrição animal, propõe-se
que sejam observado os seguintes critérios discriminados
a seguir:
-
Milho Tipo A (desejável) - ingrediente tido
como ideal, pode ser utilizado para qualquer fase de produção,
inclusive para leitões e fêmeas suínas em
reprodução e lactação, bem como
para frangos de corte e aves de postura nas primeiras semanas
de idade e matrizes;
- Milho Tipo B (aceitável) - ingrediente
tolerado para o uso em todas as fases, conforme descrito no
item anterior;
- Milho Tipo C (uso com restrições) -
ingrediente não recomendado para leitões e fêmeas
suínas em reprodução e lactação,
bem como para frangos de corte e aves dep postura nas primeiras
semanas de idade e matrizes;
- Fora do Padrão - sua utilização
deverá ser realizada apenas em situações
especiais.
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