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Dezembro / 2009

 

A água doce que consumimos no contexto do aquecimento global

Neste mês o mundo se reunirá em Copenhaguen, Noruega para discutir o meio ambiente, com ênfase no aquecimento global. É a reunião do IPCC, promovido pela ONU.

O Brasil comparece depois de certa resistência em apresentar suas propostas de metas para redução de poluentes com impacto direto no clima, e na camada de ozônio, etc.

Como já perceberam, este assunto é recorrente em minhas cartas mensais. Mas antes de prosseguir nele, especificamente, gostaria refletir nalgumas informações sobre o meio ambiente e seu impacto nas reservas de água em termos de quantidade e potabilidade.

Dados recentes amplamente publicados na imprensa e literatura especializada, mostram, que o aquecimento global não é assim tão assustador, como alguns querem que seja. As últimas medições baseadas nos registros históricos e simulações em computador mostram um aquecimento de 1,4°C por século em algumas regiões do planeta e não os alarmantes 3,9°C apontados pelos catastrofistas.

Por outro lado, os níveis crescentes de CO2 na atmosfera parecem ter chegado ao limite máximo de influência no clima.

Ao contrário das predições baseadas em simulações de modelos computacionais, a Terra vem se resfriando nos últimos 7 anos e a expectativa para as temperaturas do Oceano Pacífico, por exemplo, para os próximos 25 anos, é de se resfriarem ainda mais.

Enquanto isso, o nível dos oceanos têm subido dentro de sua evolução normal, em torno de 20,3cm nos últimos 4 anos e as calotas polares estão se mantendo estáveis nos últimos 30 anos.

A notícia ruim é que, mesmo com algum aquecimento do planeta, da ordem de 0,5°C, dentro da expectativa para o ciclo climático natural, de 1500 anos, o chamado Dansgaard-Oeschger, poderíamos esperar problemas com secas em regiões mais populosas das regiões tropicais.

Por exemplo, o cinturão de chuvas nas regiões tropicais já avançou cerca de 300 milhas norte nos últimos 1600 anos. Ao lado disso, a Oxfam (Oxford Commitee for Famine Relief) relata que cerca de 23 milhões de pessoas no Kenia, na Etiópia, na Somália e em Uganda já ficaram para trás com pouca ou quase nenhuma chuva estando, presentemente, ameaçados pela seca e pela fome.

É lógico que com essas informações nossa atenção se volte para a água, em todas as suas relações com a vida e desenvolvimento humano.

A água representa cerca de 95% do corpo de um bebê recém nascido e o envelhecimento pode ser traduzido por perda de água nos sistemas biológicos. Ou seja, a água é essencial à vida.

Se o aquecimento global, embora contestado por determinadas correntes de cientistas, está mesmo acontecendo numa velocidade alucinante como querem grande número de ativistas, e se tudo está acontecendo se não pelo todo, mas pelo menos em parte, por influência das ações humanas, a melhor coisa é nos precavermos.

Se quem tem razão ainda está por ser decidido, a prudência, nessas horas é mesmo a melhor conselheira. Vamos botar as barbas de molho. E cada um que faça a sua parte em termos da boa utilização racional e conservação e reciclagem da água, para que nossos descendentes não sofram com sua falta.

Alguns dados publicados na imprensa, ou por cientistas, ou ativistas, ou ambientalistas etc., no entanto merecem alguma consideração dos cidadãos comuns que somos nós. Comuns mas consumidores de água.

Mas uma coisa é certa, se a temperatura da terra aumenta, global ou regionalmente, o impacto das mudanças no clima se manifesta principalmente sobre a água. Ou seja, geleiras derretem mais que o normal, os mares sobem mais e a marés avançam sobre as costas; rios aumentam de volume e derramam água para fora de seus leitos provocando enchentes, onde mais e mais terras são inundadas. Junto com as inundações vêm problemas de contaminação dos mananciais, no solo e no subsolo, faltando água nas torneiras e, o que é também muito grave, a transmissão de doenças infecciosas, passadas aos homens e animais, via água suja, poluída, não potável.

Se formos avançar nas consultas da literatura, internet, jornais e revistas especializadas sobre o assunto “água”, ficaremos, atordoados, em pânico.

Afinal, quando o assunto é água, em todas as suas variantes, todo mundo fala, e a maioria tem razão.

Que está faltando água em boa parte do mundo e que 1,4 milhão de pessoas sobrevivem com o mínimo de água ninguém pode negar.

De acordo com Barlow, M., 2009, o ser humano necessita de 50 litros de água/dia para beber, cozinhar e fazer a sua higiene. Um habitante comum da África consome 6 litros de água por dia. Já num país como os Estados Unidos o cidadão comum chega a consumir 600 litros de água por dia. E, mais, um bebê recém nascido no hemisfério norte gasta por dia 40 a 60 vezes mais água que um do hemisfério sul.

Água e saneamento são essenciais para a sobrevivência dos seres humanos. Não há como separá-los.

Á guisa de exemplo: 5000 (cinco mil) crianças morrem por dia, no mundo, por doenças infecciosas cujos agentes são transmitidos por água contaminada.

A distribuição da água no mundo é completamente desequilibrada e vai gerar, no médio prazo, conflitos imponderáveis, que passarão por mortes de populações inteiras, migrações gigantes, desertificação de regiões antes habitadas e produtivas redução na produção de alimentos, fome, epidemias e, se mais não bastasse, conflagrações (guerras) por acesso à água. Aí está o Oriente médio que não deixa mentir.

Assim, com essas evidências, todo cuidado com a água é pouco. Consumo racional deve ser o lema, principalmente num país como o nosso que detém cerca de 12% da água doce do mundo.


Julio Flavio Neves

 

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